A importância do conhecimento científico no manejo de drogas vasoativas

Hoje escrevo sobre a necessidade dos profissionais de conhecerem mais sobre as drogas vasoativas (DVA), modalidade terapêutica largamente utilizada em pacientes críticos. Escolhi esse assunto porque tenho notado ainda que os estudantes e os profissionais já formados têm dificuldades no manejo desses medicamentos.

Definição

As drogas vasoativas são utilizadas em todos os tipos de choque para promover a estabilidade hemodinâmica do paciente, quando a terapia hídrica isolada não é eficaz.

A administração desses agentes vasoativos em pacientes com distúrbios perfusionais tem como objetivo fazer a correção das alterações cardiovasculares, para restaurar a oferta de nutrientes e oxigênio aos tecidos e órgãos, evitando distúrbios do equilíbrio ácido-base e falência de órgãos vitais.

Atualmente, com as práticas voltadas à segurança dos pacientes (busca da máxima qualidade do atendimento com o mínimo de riscos), faz-se ainda mais necessário o conhecimento sobre as propriedades farmacológicas e a identificação de intercorrências relativas a essa modalidade terapêutica.

As DVA constituem-se em fármacos específicos com ações diversificadas e, por esse motivo, exigem amplo conhecimento por parte da equipe envolvida no tratamento medicamentoso, incluindo-se, neste caso, o profissional enfermeiro.

Entre os princípios científicos que devem guiar a administração de medicamentos, está o conhecimento sobre:

  • A farmacodinâmica – interação do fármaco com o alvo (receptor) e a produção do efeito terapêutico – “o que o fármaco faz no organismo”.
  • A farmacocinética – processos de absorção, distribuição, metabolismo e excreção – “o que o organismo faz com o fármaco”.
  • Os tipos de infusão – contínua ou isolada
  • As interações medicamentosas – respostas farmacológicas onde os efeitos de um fármaco são alterados devido a administração anterior ou simultânea de outro. O evento “interações medicamentosas” é, atualmente, um dos destaques na prática clínica.
  • A estabilidade do fármaco – o tempo durante o qual a especialidade farmacêutica ou a matéria prima, mantém dentro dos limites especificados e durante o período de armazenamento e uso, as mesmas condições e características que possuía no momento da fabricação
  • As reações adversas“qualquer efeito prejudicial ou indesejável, não intencional, que aparece após a administração de um medicamento em doses normalmente utilizadas no homem para a profilaxia, o diagnóstico e o tratamento de uma enfermidade”. (OMS)

Alguns estudos feitos acerca do conhecimento dos enfermeiros sobre as drogas vasoativas

  • “40% dos enfermeiros pesquisados percebiam dificuldades em alguns aspectos”. (Melo et al, 2016)
  • O enfermeiro é detentor de conhecimento superficial, desconhecendo aspectos significantes…. Tem dificuldade em associar a teoria com a prática clínica”. (Nishi, 2007)
  • Os enfermeiros demonstram, na maioria das vezes, conhecimento insuficiente, no que diz respeito à ação de determinados fármacos, à resposta esperada e às possíveis reações adversas decorrentes da medicação, bem como às intervenções imediatas, caso isso ocorra. (Rocha et al, 2010)

Características do profissional

Frente a grande oferta de profissionais nessa área, hoje, as instituições exigem enfermeiros dotados de características como agilidade, raciocínio clínico, tomada de decisões assertivas, capacidade de investir no autodesenvolvimento e de enfrentar desafios. Esse perfil é valorizado porque, acima de tudo, agrega valor social e econômico às instituições.

O maior tempo de formação não assegura que o enfermeiro desenvolva sua prática fundamentada no conhecimento científico, pois, para isso, é necessário o interesse em adquirir conhecimento.

Opitz (2016) afirma que “o despreparo independe da experiência do enfermeiro, não possuindo relação, portanto, com o tempo em que o enfermeiro atua na área“.

Sabe-se que o enfermeiro é peça imprescindível no manejo dos fármacos durante a assistência ao paciente crítico e que o aperfeiçoamento do profissional em farmacologia irá, sem dúvida, contribuir significativamente para a melhoria na qualidade do atendimento.

Segundo a Profa. Ms. Luciana Giaquinto, farmacêutica e coordenadora do Curso de Farmácia, da UNIP/Santos, “como profissional farmacêutica tenho observado que o conhecimento traz autonomia e desenvolvimento para qualquer área em que estejamos trabalhando. O conhecimento específico na área de farmacologia se faz urgentemente necessário. Há muito tempo que esse conhecimento não é somente de responsabilidade do farmacêutico. Cada vez mais as equipes multidisciplinares são essenciais no tratamento e recuperação do paciente”.

Ela também afirma que “quando se trata de conhecimentos técnicos sobre os fármacos, sua ação, atuação e reações estamos falando diretamente para profissionais que terão grande responsabilidade sobre o tratamento de muitos pacientes. Sendo o Enfermeiro o profissional mais próximo do paciente, quando bem capacitado, ele fará a grande diferença no êxito do tratamento“.

Dra. Elizabeth Galvão

Doutora em Ciências (EEUSP), pós-graduada em Administração Hospitalar (UNAERP) e Saúde do Adulto Institucionalizado (EEUSP), especialista em Terapia Intensiva (SOBETI) e em Gerenciamento em Enfermagem (SOBRAGEN). É professora titular da Universidade Paulista no Curso de Enfermagem, e professora do Programa de Especialização Lato-sensu em Enfermagem em Terapia Intensiva e Enfermagem do Trabalho na Universidade Paulista.

Se você é profissional ou estudante da área da saúde, faça parte da nossa lista de leitores!

Cadastre seu nome e email para receber gratuitamente e semanalmente nossos artigos, matérias e atualizações!

Nós respeitamos sua privacidade e |jamais| enviamos spam!

Send this to a friend