Assistência de enfermagem na oxigenoterapia hiperbárica

Após a publicação sobre a oxigenoterapia hiperbárica, que você pode ler clicando aqui, recebi vários pedidos para abordar a assistência de enfermagem no procedimento.

A assistência inicia-se no preparo do material e equipamento e segue desde a chegada do paciente ao serviço até a sua saída.

Materiais e equipamentos necessários (Konbel, et al, 2009)

• Câmara monopaciente (monoplace) – com maca para transferência
• Monitor cardíaco
• Monitor de transporte
• Bomba de infusão
• Otoscópio
• Ventilador mecânico
• Máscara facial
• Monitor de pressão arterial não invasivo
• Aspirador de secreções portátil

A assistência de enfermagem é realizada pelos técnicos de enfermagem operadores de câmaras hiperbáricas (guia interno e guia externo), responsáveis pelos controles interno e externo da câmara hiperbárica para a realização da sessão de tratamento, sob a supervisão do enfermeiro e é dividida em três períodos:

Assistência pré-OHB – antes de entrar na câmara hiperbárica

• Manter o paciente em jejum somente se houver risco para broncoaspiração
• Verificar se as roupas do paciente são de algodão. Caso não forem, oferecer avental – (não usar roupas sintéticas)
• Checar o funcionamento dos equipamentos: fonia, temperatura, umidade, iluminação e concentração de oxigênio da câmara hiperbárica
• Remover próteses dentárias
• Retirar adornos (anéis, pulseiras, brincos, óculos, lentes de contato, peruca, aparelho auditivo)
• Remover esmalte, creme, pomada, gel fixador de cabelo e maquiagem (fontes de ignição na presença de oxigênio)
• Estimular o esvaziamento vesical e intestinal antes da sessão
• Se acamado, remover fralda descartável
• Suspender infusões venosas: soro, hemocomponentes, nutrição parenteral, antibióticos
• Desinsuflar o cuff do tubo orotraqueal ou traqueostomia, preenchendo-o com água destilada ou soro fisiológico 0,9% – o líquido não sofre variação significativa pela pressão ambiental
• Preencher, também, drenos e cateteres com soro fisiológico 0,9% ou água destilada – o líquido não sofre variação significativa pela pressão ambiental
• Esvaziar bolsas coletoras dos drenos ou dispositivos urinários
• Otimizar a administração de fármacos que não podem ser descontinuados, verificando a possibilidade de infusão única – utilizar equipo próprio para câmara hiperbárica (equipo com suspiro para permitir a eliminação de bolhas gasosas que podem se formar durante a pressurização e despressurização)
• Ensinar e revisar com o paciente as manobras de equalização das pressões nos compartimentos aerados (ouvido médio e os seios da face) como: pinçar o nariz e soprar forte, lateralizar a mandíbula, bocejar, mascar chiclete, a fim de diminuir o risco de barotrauma
• Orientar o paciente a comunicar sintomas de desconforto como dor, tontura, cefaleia, dor de ouvido, entre outros

Assistência trans-OHB – durante toda a sessão de tratamento (desde o início da pressurização até o fim da despressurização)

• Monitorar umidade do ar e temperatura no interior da câmara
• Monitorar a pressão parcial dos gases
• Verificar sinais vitais
• Se entubado, conectar o paciente ao ventilador mecânico próprio da câmara hiperbárica
• Observar sinais de desconforto e dor
• Oferecer atividades de entretenimento: música ambiente, livros, revistas
• Oferecer água durante a sessão prevenindo a desidratação e facilitando a compensação do ouvido médio durante a deglutição
• Posicionar o paciente adequadamente para prevenir dores na região lombar e dorsal
• Ajustar a máscara facial no rosto do paciente para administração de oxigênio a 100%;
• Estar atento a queixas, principalmente visão em túnel, zumbido, tremores, náuseas, tontura, irritabilidade, euforia, pois podem preceder a crise convulsiva

Assistência pós-OHB – imediatamente após a sessão de tratamento até a sua saída da unidade

• Verificar sinais vitais
• Verificar se houve esquecimento de algum objeto pessoal e entrega-lo ao paciente
• Auxiliar na saída do paciente
• Documentar a evolução das lesões

Com esses cuidados espera-se obter os seguintes resultados: procedimento realizado com segurança, manutenção das condições hemodinâmicas, neurológicas e respiratórias do paciente durante o procedimento e efeito terapêutico desejado.

Referências

ALCÂNTARA, et al. Aspectos legais da enfermagem hiperbárica brasileira: por que regulamentar? Rev. Bras. Enferm., Brasília, v.63, n.2, p. 312-316, Mar/Abr. 2010.

DAVID, R. A. R. O cuidar e os cuidados de enfermagem na Terapia Hiperbárica. 2006.Tese (Doutorado em Enfermagem) – Escola de Enfermagem Anna Nery, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006.

KNOBEL, E; LASELVA, C.R.; MOURA JUNIOR, D.F. Terapia Intensiva: enfermagem.
São Paulo: Atheneu, 2009.

LACERDA, et al. Atuação da enfermagem no tratamento com oxigenoterapia hiperbárica. Rev. Latino-Am. Enfermagem, v14, n. 1, p. 118-123, Jan/Fev, 2006.

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